Arte generativa refere-se à arte que foi gerada, composta ou construída através de formas algorítmicas e da utilização de sistemas definidos por computador (software de algoritmos, fórmulas matemáticas, etc) que criem processos autónomos aleatórios.
O termo arte generativa não descreve um movimento de arte ou uma ideologia. É apenas um método de fazer arte. Refere-se à forma como a arte é criada, não tendo em conta porque foi feita ou que conteúdos a obra tem.
Um artista ou criador estabelece algumas regras básicas, fórmulas e/ou modelos que possam definir um processo aleatório ou semi-aleatório para trabalhar elementos. Os resultados continuarão a ser dentro dos limites estabelecidos, mas também podem estar sujeitos a modificações ou até mesmo surpreendentes geradas pelo próprio software. Uma obra de arte generativa geralmente nunca se repete da mesma forma duas vezes.
A arte generativa pode também surgir em tempo real, através de feedback e interacção com um ou mais participantes (ex. www.ymyi.org). Diferentes tipos de ambientes de programação gráfica como por exemplo, Max/Msp, Pure Data ou vvvv, são usados em tempo real no audiovisual generativo, em expressões artísticas como Demoscene e VJ'ing. Demoscene é uma sub-cultura da arte informática especializada na produção de demos, apresentações áudio-visuais não-interactivas, executadas em tempo-real num computador. O principal objectivo de uma demo é demonstrar tecnicamente as habilidades de programação, artes gráficas e música entre os diversos demogroups (www.demoscene.tv).
Inteligência artificial e o comportamento automatizado, introduziram novas formas de ver a arte generativa. Ken Rinaldo (1958) é um artista americano que criou instalações de arte interactivas que exploram a intersecção entre natureza e tecnologia. As suas instalações de arte robótica e bio-arte procuram misturar elementos mecânicos e orgânicos. Augmented Fish Reality (2004) e Autopoiesis (2000), são duas das suas mais conhecidas obras. Autopoiesis é uma instalação que explora a ideia de consciência de grupo, inclui quinze esculturas robóticas que interagem com o público e modificam os seus comportamentos com base na presença dos participantes (www.kenrinaldo.com, entrevista em: http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2057,1.shl).
O primeiro exemplo de Arte generativa foi "Musikalisches Würfelspiel", 1757, de Wolfgang Amadeus Mozart. Este é um exemplo precoce de um sistema gerador baseado em aleatoriedade. A estrutura foi baseada num elemento de ordem, e por um lado, outro de desordem.
As principais características da Arte Generativas são, principalmente, a utilização de sistemas computacionais como um método de produção; a obra de arte deve ser auto-suficiente e funcionar com algum grau de autonomia; possuem diversos graus de complexidade, sendo difícil a previsão de comportamento; destaca-se o processo de criação, como uma característica essencial; a arte generativa pode ser identificada nos processos criativos e não apenas nos resultados; os resultados de cada processo generativo são infinitas variações pertencentes à mesma ideia.
Os exemplos de arte generativa surgem das mais variadas áreas, não sendo exclusivas das artes visuais, é na música que são explorados o desenvolvimento dos mais diversos softwares. Compositores como John Cage usou os princípios de Arte Generativa nas suas obras. Brian Eno colaborou no desenvolvimento de Koan da SSEYO. Koan é um software de música generativa, utilizado na criação do álbum Generative Music 1. SSEYO, foi fundada por Pete Cole e Cole Tim, especificamente para criar e comercializar Koan.
Margarida Maltinha
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