Entrevistas I

15.10.09

Ora vejamos como eles falam bem.
Entrevista a Pedro Bidarra, vice-presidente e director criativo da agência BBDO Portugal.


Nos últimos 20 anos, Portugal mudou muito. Com enorme atraso, passou a ser uma sociedade de consumo. O que mudou na publicidade portuguesa?

Há 20 anos toda a gente se lembrava do "Sobe, sobe, balão sobe", da Manuela Bravo, a música que ganhou o Festival da Canção. Hoje, ninguém sabe quem ganhou o Festival da Canção. Isto não é mau, é bom! Mas o que é interessante é que há 20 anos todos tínhamos assunto comum para trocar opiniões. Eu podia detestar o "Sobe, sobe balão sobe", mas sabia que ele existia. Portanto, a primeira grande diferença é a enorme fragmentação dos assuntos. Consumimos informação de todos os meios e feitios e passámos a ser editores daquilo que queremos ver. Às vezes estamos perdidos, às vezes não sabemos o que queremos ver ou o que devíamos ver. Uma parte do país ignora o que se está a passar na política ou no desporto, não sabe quem são os candidatos autárquicos, mas de repente a sua atenção está centrada num assunto muito específico que só interessa a uns quantos.

A melhor publicidade é aquela que está sintonizada com a realidade?

A boa publicidade é aquela que tem capacidade de pôr mais gente a falar. É aquela que é capaz de criar assunto que as pessoas queiram partilhar. E não é só na internet, porque há varias maneiras de partilhar assunto. Uma acção de rua é capaz de ser mais assunto do que um anúncio de televisão. A rua e o ponto de venda fazem muito o lugar da televisão. Antigamente a TV era o grande momento de comunicação, no sentido em que juntava toda a gente à volta. Agora já não acontece isso porque as pessoas conseguem ver mais coisas e há discussões e há comandos e há crianças e diversão pela casa... É engraçado que o ponto de venda hoje é dos sítios onde as pessoas mais se juntam, portanto, se eu quiser comunicar, esse é um bom sítio. É diferente ver as coisas em conjunto do que ver sozinho. Em conjunto há uma discussão, há partilha. A televisão é cada vez mais solitária.

As ideias iniciais para as campanhas saem muito desfeitas no final?

Aqui não. Ou são rejeitadas ou aprovadas. Se rejeitadas, fazem-se outras, baseadas noutros pressupostos. O que não gosto é de ir alterando as coisas todas até aquilo ser nada, ser zero.

Restante entrevista publicada no Jornal I

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